A minha Figueira
...de mansinho, devagar com a calma e a luz que os dias lhe dão. Olha o mar, agarrada ao rio e protegida pela serra.De porta aberta
Porque sim.Para que o sol entre e se acomode por aqui.
E a vista se espraie sem limites.
Para que entres sem bater.
Sempre aberta, às vezes encostada... basta empurrar devagarinho.
Uma carta
Não é realmente a melhor maneira de falar.È sobretudo...a forma mais fácil de ignorar o outro. Pode-se abrir. Rasgar. Ler ou talvez não.E depois nem exige, só por si, resposta.
Os olhares evitam-se e as expressões não teem de ter sentido.
Uma carta é sempre surda e cega. Só não é muda.
Fala, mas sózinha. Uma fala sem corpo.
E a intenção perde-se na leitura, se houver.
Assim e apesar de tudo, escrevo.
Passar ao papel, sonhos, ambições, dores, é de certa forma um acto de prazer.
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