Se bastasse desejar tudo seria sempre mais fácil.
Embora se devesse cuidar nos desejos a formular.
Apetece-me acreditar que por caminhos adversos se chega ao destino a que temos direito. Que apesar de tudo nada nos é negado.
Se tivesse a certeza disso aceitaria melhor o que a vida me traria.
São estranhos os desígnios da nossa caminhada.
Demasiadas as perguntas e poucas as respostas.
Muitas as lágrimas e parcos os sorrisos.
E dura tão mais a dor que o alívio!
Se bastasse viver e não pensar…
Quantas vezes!
A verdade está em tanto que se oculta como naquilo que se mostra.
E quantas vezes o que se mostra não é senão mentira.
E quantas vezes o que se mostra não é senão mentira.
Apesar de tudo
Tentar. É o que lhe resta e sobra.Tenta sempre e sempre descobre que de nada vale.
Retoma ao princípio das coisas como se não pudesse fazer outra coisa.
E o ciclo reinicia-se. Inexoravelmente.
Com a mesma sede e a mesma ânsia volta a tentar.
Sabe que só o deixará de fazer quando não puder mais.
Mesmo que morra um pouco de cada vez que o faz.
Mesmo que a distância entre ser ou não ser o que tanto quer se apequene duma forma maior.
Apesar da dor que a pouco e pouco se instala e acomoda.
Apesar de tudo.
Esperaria
Tinha a vida plantada em mãos alheias.
Presa nas decisões de quem não as conseguia fazer. Não sabia por quanto tempo.
Sabia só que estaria lá numa qualquer esquina sem a poder dobrar.
Esperaria.
Presa nas decisões de quem não as conseguia fazer. Não sabia por quanto tempo.
Sabia só que estaria lá numa qualquer esquina sem a poder dobrar.
Esperaria.
Audácia
Dela conhecia tudo.Desde as tristezas ás alegrias, da dor ao alívio, da esperança ao não esperar nada.
Era-lhe límpida.
O que mais o angustiava era vê-la com a vida suspensa no medo que lhe tinha.
Faltava-lhe a audácia de ser completa. Antes de começar já tudo estava acabado e no entanto não deixava de sofrer.
Passava pela franja das coisas para não fazer parte de coisa alguma.
Chorava pelas perdas do que nunca tinha ganho.
E deambulava numa dolorosa insatisfação de não se deixar ser.
Faltava-lhe a audácia de ser completa. Antes de começar já tudo estava acabado e no entanto não deixava de sofrer.
Passava pela franja das coisas para não fazer parte de coisa alguma.
Chorava pelas perdas do que nunca tinha ganho.
E deambulava numa dolorosa insatisfação de não se deixar ser.
Entregara-se ao medo.
Agrilhoada, aí, via a vida esvair-se.
Porque não queria sofrer ia sofrendo
A ele, só lhe era permitido testemunhar.
Agrilhoada, aí, via a vida esvair-se.
Porque não queria sofrer ia sofrendo
A ele, só lhe era permitido testemunhar.
Intervalo
Vida em câmara lenta,
Oito ou oitenta,
Sinto que vou emergir,
Já sei de cor todas as canções de amor,
Para a conquista partir.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal
Sou eu
Vida à média rés,
Levanta os pés
Não vás em futebois, apesar
Do intervalo, que é quando eu falo,
Para não me incomodar.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal
Sou eu
Não me deixes na
Historia que não terminou
Não me deixes
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal
Sou eu
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto onde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal
Sou eu
Compositor: A. J, Santos
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